23/04/2005
Periyar Park and Backwaters
Como promessa é dívida, aqui começo a colocar em dia as indiadas que eu estava devendo.
Geralmente aproveitamos os finais de semana para viajar e conhecer o máximo possível da Índia. Nesse post vou contar sobre a minha primeira indiada aqui na India. Entre os dias 11/03 (sexta) a 13/03 (domigo) viajamos com destino o maior parque nacional da Índia, o Periyar National Park. Na volta, parte do trajeto fizemos de barco, esse passeio é chamado Backwaters.
Vamos lah ...
Definindo Objetivo
Na sexta-feira (10/03) não tivemos aula a tarde e voltamos mais cedo para o hostel. Assim tivemos tempo para planejar a indiada do final de semana:
- Sábado: conhecer o famoso Periyar National Park (o maior parque nacional da India).
- Domingo: Passeio no Backwaters (8 horas) e depois pegar um ônibus para Trivandrum.
O primeiro problema que encontramos foi que o único ônibus de Trivandrum para Kumali (cidade mais próxima do parque) só partiria sábado de manhã. Estavamos quase desistindo quando a Esther descobriu que poderiamos pegar um trem até Alappuzha e depois um ônibus até Kumali. Óbvio que só descobrimos isso em cima da hora. Todo mundo correndo pra chegar em tempo de pegar o trem. Dividimos a galera, 3 pessoas por rickshaw (espécie de triciclo que usado como táxi na India).
A Primeira Viagem de trem
Chegamos em tempo na estação e compramos os bilhetes. Os trens na India possuem 3 classes de vagoes: com ar-condicionado (A/C Class), Sleepers class (sem AR) e tenebrosa segunda classe ("Second Class"). Bom, como somos trainees (ou seja, não temos dinheiro) e não somos loucos pegamos a sleeper Class. Com exceção do Bruno (Rio de Janeiro) e do Diego (Itália) que foram na segunda classe, assim economizariam Rs 50, algo em torno de R$ 3.
Como eu sou um cara abençoado apareceu um indiano com um bilhente com a mesma ""poltrona" que a minha. Sugeri, educadamento, para o cara sentar no banco do lado que estava vago, pois gostaria de ficar juntos com os meus amigos. Como os indianos são tão flexíveis quanto uma barra de ferro, discutimos por 40 minutos. Na verdade discuti com o funcionário responsável por fiscalizar os tickets (fiscal), porqque o indiano não me olhava na cara, sei lá parecia que tava com vergonha. Bom, como o inglês de ambos era sofrível e o meu hindi está longe de ser fluente parecia uma conversa de louco. Cada um falava uma língua. O fiscal teve a cara de pau de riscar o meu bilhete, escrever outra o número de poltrona e dizer que a aquela não era minha poltrona. Resumindo, tive que ceder o lugar por palhaço do indiano. Depois de 4 horas de viagem chegamos Alappuzha, pegamos um rickshaw da estação de trem até a "suposta" rodoviária.
Ônibus de linha na Índia
Quando me refiro a rodoviária aqui na Índia, entenda-se um terreno grande, com um monte de ônibus velho e uma pequena construção onde exitem algumas barracas de comida e um lugar onde se pede informação sobre os ônibus, podendo esta estar certa ou não. O bilhete é comprado dentro do ônibus. Quando me refiro a um onibus velho na India imaginem o onibus mais velho em circulação no Brasil, agora imagem esse mesmo ônibus daqui a 40 anos, este é um onibus velho na Índia. Detalhe, ao contrário do resto do mundo onde o ônibus tem um corredor e duas poltronas em cada lado, aqui na Índia de um lando tem um banco para duas pessoas (que na verdade seria adequado para UMA pessoa ir confortavelmente) e do outro lado um banco para 3 pessoas (que na verdade seria adequado para DUAS pessoal irem confortávelmente).
Perto das 22:30 o ônibus partiu (se é que posso chamar aquilo de ônibus) com previsão de chegr em Kumali perto das 03:00. A viagem de buzão foi tranquilo, exceto por 2 detalhes. Primeiro que não sabia que o parque ficava numa serra. Passei um frio do caralho pois só estava usando bermuda e camiseta. Segundo: o motorista sofria de uma doenca chamada "Sindrome de Schumacher". O ônibus inteiro fazia barulho, do parafuso que segurava o banco ateh o da roda. A estrada era relativamente boa, entretanto estreita. Mais emocionante que corrida de Fórmula 1.
O quarto dos 7 anões
Com a graça de Deus chegamos bem em Kumali e no horário previsto. Como era de madrugada e todo mundo estava cansado e passando frio alugamos um quarto no primeiro hotel que encontramos. Detalhe que estavamos em 11 e o cara do hotel só tinha um quarto para 7 pessoas. Aquela altura do campeonato só queriamos um canto que fosse mais quente do que a rua. Adentramos ao quarto e tive a nítida impressão de estar num conto de fadas. Havia 7 camas uma do lado da outra, igual ao quarto dos 7 anões, comédia. Tinhamos apenas 3 horas para dormir, pois ás 7 horas deveriamos estar no Paryiar Park.
O Parque
Acordamos, juntamos os trapos e pegamos um jipe até o parque. No meio do parque existe um imenso lago artificial construido pelos ingleses podemos fazer um passeio de barco. Como marco e abril sao o meses mais secos do ano, sao os melhores meses para se ir ao parque pois os animais vao na beira do rio para beber agua. Fizemos um passeio de 1 hora e 30 minutos. Deu pra ver uns elefante, cervos, javali, uns gato do mato ... legal mas esperava um pouco mais.
Depois do passeio tomamos café da manhã no parque (café, pão e omelete ... pra variar). Assim como na "Elephant Island", tem uma porrada de macaco. Não é que esses bixos roubam os coisas dos turistas! Para vocês terem uma idéia, tem uma placa no restaurante dizendo "Cuidado com os macacos".
A tarde fizemos uma trilha pelo parque, depois de caminha uma hora e meia encontramos um casal de elefantes, ficamos a uns 30 metros dos bichos, devido a restrições de segurança o guia não deixou agente chegar mais perto. Voltamos da trilha e fomos almoçar num restaurante perto. Ainda tinhamos que ver os famosos "Spicies Garden"!
O Quintal da Dona Mira ou da Dona Dosolina
Tive que concordar com o Renato (SP) quando chegamos em dos Spicies Garden: "Isso aqui parece o quintal da minha vó". E sem dúvida ele estava certo. Me sentia como nos fundos da casa da saudosa dona Dosolina onde ou no pátio na casa da praia da Dona Mira . Resumindo não passava de um grande jardim, com vários tipos de plantas, muitas delas consideradas especiárias. Como esse tipo de coisa tu nunca vai encontrar no Europa, virou uma atração. Para terminar esse tópico, como diria o meu ilustre primo Bernardo Brando "Coisa pra Inglês ver! ".
Backwaters
No fim da tarde pegamos um ônibus com destino a Alappuzha. Chegamos em Alappuzha por volta das 22:30. Tratamos logo de achar um hotel, um noite entre trem e ônibus, um dia inteiro de caminhada e mais ônibus todo munda estava precisando de um bom banho e uma cama limpa.
Acordamos domingo cedo e fomos atraz do passeio pelos Backwaters de Kerala. Margeando o litoral do estado de Kerala existe uma gama de canais e pequenos rios que se unem e formam uma via fluvia chamada de Backwaters.
Conseguimos alugar um barco só para nós. Existem vários tipos de barcos, para todos os gostos e preços. Os mais luxuosos, são chamados de houseboats e tem até ar-condicionado. Percorremos o trajeto de 42 Km entre Alappuzha a Kollan em 8 horas. Entre um cerveja e outra fomos curtindo esse passeio. Muito legal, várias paisagens bonitas e bufalos e vacas tomando banho no rio. Paramos para almoçar num restaurante que ficava entre dois canais, muito legal o lugar. Para variar tinha uma mesa soh de turistas ingleses. O passeio é muito tranquilo e ideal para relaxar num domingo. No final, perto do encontro do rio com o mar paramos para um mergulho. Chegamos em Kollan e terminamos a indiada pegando um ônibus para Trivandrum.
Era isso por hoje ....
Abraços
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12/04/2005
2 meses de muita novidade ... sobre o Brasil
Acho que 99% dos blogs de pessoas que estão morando fora do país origem têm pelo menos um post com esse título. Ou algo muito parecido. Ontem fez exatamente 2 meses que estou na Índia, depois de 2 meses a enchurrada de novidade vai diminuindo, de longe ainda nao acabou, entretanto apartir de agora tudo é mais brando e mais fácil de assimilar. Tenho muita coisa ainda pra contar sobre as minhas viagens aqui na terra do Gandhi, mas 2 meses pedem uma reflexão sobre muita coisa que eu já vi e ouvi sobre a Índia e principalmente sobre o Brasil. Esse post é sobre meu país, única e exclusivamente sobre o meu ponto de vista. Não espero que todos concordem ou descordem, só quero compatilhar algumas coisas que tenho pensado e vivido ...
Vamos lah ...
Brasil ... ainda o país do Futebol, mas está mudando
Ainda moramos no país do futebol. Pelo menos é o que a maior parte das pessoas que eu tenho conversado (de todo canto do mundo!) acha. Claro que o futebol nunca vai deixar de ser o nosso principal cartão postal, mas fica chato quando a conversa não sai disso. Tirando o futebol (que corresponde a 90%) tenho ouvido outras coisas quando digo que sou brasileiro:
- Brasil (todos comecam assim) ? Maradona! (funcionário da imigração quando cheguei na Índia)
- Brasil ? Carnaval!
- Brasil ? Rio de Janeiro!
- Brasil ? Vocês tem praias maravilhosas!
- Brasil ? Vocês têm lindas mulheres, não têm?
- Brasil ? O presidente de vocês é o Lula da Silva, não é?
- Brasil ? Jah estive lá, fui a Porto Seguro.
- Brasil ? Conheço Porto Alegre, fui no Forum Social Mundial.
- Brasil ? Eu vi o filme Cidade de Deu! Belo filme. O Brasil é daquele jeito mesmo? (Discutirei isso na proxima secao).
-> Nao encontrei ninguém dizendo que Buenos Aires é a capital do Brasil, acho que isso é mais comum nos EUA.
A maioria das pessoas que converso são formadas ou estão terminando a faculdade e algumas têm especialização. Boa parte fala pelo menos 3 linguas (língua do país de origem, inglês e mais uma ). A idade varia de 22 e 30 anos. Resumindo, pessoas letradas e inteligentes. Tudo isso me deixou mais intrigado, pois na minha opinião, em geral, ninguém sabe muito sobre o Brasil, a não ser que você seja Brasileiro. Não que esperasse que todos conhecem a geografia e história do Brasil, mas espera um pouco mais do chamado "primeiro mundo". Os europeus em geral ficam expantados com o tamanho do território indiano, e ficam mais expantados quando digo que o Brasil é quase 3 vezes maior que a Índia. A violência ainda mancha a nossa imagem no exterior. Acreditem, isso afugenta muitos turistas e negócios. A não ser que o governo do meu amigo Lula faça algo diferente do que os outros governos têm feito nos ultimos 20 anos, dificilmente mudaremos essa imagem.
Cidade de Deus
Você já viu o filme "Cidade de Deus" ? Não? Então o que está esperando? Vá correndo a locadora mais próxima (hehehe). "Cidade de Deus" é um dos filmes mais fortes que eu já vi, e começo a acreditar que para muitos estrangeiros também. Eu já tinha lido o filme tinha sido muito comentado no exterior, mas só acreditei quando ouvi pessoas dos mais diferentes cantos do mundo comentarem sobre o filme. Aqui chegamos a uma faca de gumes:
- lado bom: a dramaturgia brasileira fica mais conhecida.
- lado ruim: tenho que responder a este tipo de pergunta: "O Brasil é assim mesmo?", "Tudo o que acontece no filme é verdade?".
A famosa Bolívia!
Acreditem ou não, a maioria dos estrageiro que conheci e que já foram a América do Sul, não foram ao Brasil. Muitos foram muchilar na Bolívia, alguns foram também ao Peru ( Cusco ) alguns poucos para a Argentina e algumas raras excessões foram ao Brasil. O Gustav (Suécia) me contou ( e eu compravei quando fui a Goa), que muitos suecos vão a Goa veranear, era um destino bem comum. Perguntei sobre o Brasil, ele me respondeu que muitos suécos também vao ao Brasil, mas definitivamente era um destino bem mais improvável.
Rio de Janeiro: igual a Carnaval ou Brasil
Rio de Janeiro significa Brasil e Carnaval, pelo menos no exterior. Muita gente acha que o Carnaval só acontece no Rio. Toda a beleza, bem como todos os problemas que o Rio possui é ligado diretamente a imagem do País (Por favor alguém diga isso pro pessoal lá em Brasília). Apesar da violência que ocorre em São Paulo (principalmente no ABCD paulista) a imagem de país violento é ligada diretamente ao Rio. Isso ocorre porque o Rio é a cidade mais famosa do Brasil. Não acho que o governo deva mover toda a polícia federal e exército para o Rio, mas acho que todo o país ganharia se cuidássemos um pouco mais da nossa "entrada principal".
Mulher é no Brasil ... o resto é resto
Não sei se a Mari vai ficar brava ou não com esse tópico, mas é que muita gente têm me perguntado sobre as mulheres. Pois bem, como não tenho reparado muito nesse "assunto" aqui vou escrever baseado nos comentários do Renato, Thiago, Bruno e Paulo (brasileiros). Curto e grosso: "Mulher é no Brasil, o resto é resto e ponto final". Talvez o leste europeu escape a regra. É só isso que tenho a dizer.
Casa é casa e Família é família
Passei alguns dias em Paris e Londres, as cidades mais famosas e CARAS da europa. Realmente, impressionante. Conheci gente de todo canto aqui na Índia, experiencia única para mim. Cultura indiana é praticamente algo de outro mundo. Nunca pensei que diria isso, mas a cada dia tenho mais certeza que fiz a escolha certa em ter vindo para Índia e que casa é casa e família é família. Deus pode não ser brasileiro, mas com certeza ele tem um carinho especial pelo nosso país, pois acreditem não troca a minha terra por país nenhum do mundo.
E tenho dito!
21:37 Escrito em Blog | Permalink | Comentários (4) | Enviar por e-mail
08/04/2005
Um festa de muitos sotaques
Sábado passado (01/03) conheci alguns trainees da AIESEC que moram em Bangalore. Para aqueles que não conhecem, AIESEC é a maior organizaçao de estudantes do mundo que tem o objetivo de desenvolver pessoas atravé dointercambio de jovens. Bem, fui informado que aconteceria uma festa na casa de um indiano, acho que era aniversário do cara. Todos os trainees estavam convidados, cada um deveria levar a sua bebida. Claro que confirmei a minha presença.
Como apenas a Jonna (Alemanha) sabia o endereço da festa, combinamos de nos encontrar no “Club X” e lah irmos todos juntos a festa. O Jan (Alemanha) disse para mim não chegar atrasado, inclusive enfatisou “8:30 pm German Time”. Ok, nada de atraso. Eu e o Thiago compramos umas cevas e fomos ao local combinado. Acho que por estar a mais tempo na Índia do que eu, o Jan aderiu ao “Indian time” e soh chegou as 9:15. Disse que ele era acabara de manchar a reputacao da nacao Alemã e que um atraso de 45 minutos era inconcebivel. Obvio que eu estava brincando, mas mesmo assim o Jan tentou se explicar dizendo que não era culpa dele.
O local
Como tudo na Índia , o local da festa também era no mínimo diferente. Particularmente achei do caralho. Terraço de um prédio, a 20 metros do aeroporto. Dava pra ver os avioes estacionados, pousando ou decolando. Num canto haviam 3 bacias grandes com gelo, todo mundo chegava e colocava a bebida. Um aparelho de som e umas poucas luzes deixavam a ambiente muito legal.
Os convidados
Uma das coisas mais legais que a AIESEC proporciona, além da oportunidade de trabalhar em outro país, é o contato com pessoas de todo o mundo. Definitivamente os convidados são o ingrediente que torna as festas da AIESEC únicas. Gente de todo canto do mundo: Índia, Japão, Canada, USA, México, Inglaterra, Espanha, Portugal, Alemanha, Holanda, Finlandia, França, Hungria, Russia, Hong Kong … obviamente o Brasil estava muito bem representado. A língua oficial da festa era o inglês. Pelo sotaque dava para ter uma idéia de onde era o cara. Por ironia da globalização, o sotaque mais difícil de compreender, sem duvida nenhuma, é o britânico.
Falando o legítimo português
Estava falando com o pessoal na festa quando tive a nítida impressão que o Thiago estava falando português com uma guria. Talvez estivesse ensinado algumas palavras. Estava enganado, realmente se tratava dá bela língua portuguesa, pois a guria era de Portugal! A Joana (Portugal-Coimbra) está a uns 4 meses na Índia sem falar português, só inglês.
Como o sotaque português é bem diferente e em Trivandrum estava sempre tentando falar espanhol com a Esther (Peru), Karina (Peru), Marco (Equardor) e com o Octavio (Mexico), nos primerors 5 minutos de conversa inconscientemente tentava improvisar meu “portunhol” ao invés de simplesmente falar português.
Essas coisas só acontecem numa festa global ….
Um abraço a todos.
Giu
16:04 Escrito em Blog | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail

